sexta-feira, 15 de maio de 2009

2009.05.15 - Rodovia da Morte tira mais duas vidas - Estado de Minas

Marcos Michelin/EM/D.A press
Os três veículos, os que bateram e o que era transportado, viraram um monte de ferro retorcido sobre o asfalto, impedindo a passagem nos dois sentidos da via

Caminhões se chocam de frente em uma curva da br-381 e os dois motoristas morrem. Acidente foi perto do trecho marcado por tragédias. engarrafamentos param a Estrada e o anel rodoviário

Pedro Ferreira

Ao completar dois meses da tragédia que tirou a vida de cinco universitários e do motorista da van em que viajavam, no km 435 da BR-381, a Rodovia da Morte, perto do trevo de Ravena, distrito de Sabará, na Grande BH, o mesmo local foi palco de mais um acidente grave, na manhã de ontem, que matou duas pessoas e deixou outras duas gravemente feridas. Por volta das 9h30, o caminhão Mercedes-Benz vermelho placa GVQ 9881, de Belo Horizonte, carregado de bananas, seguia no sentido BH e desceu uma ladeira em alta velocidade. Ele invadiu a contramão numa curva e bateu de frente em outro caminhão, recém-saído de uma concessionária, que transportava na carroceria outro caminhão novo, na cor azul.

O motorista do primeiro caminhão, Giovanni Siqueira Santos, de 30 anos, e do outro veículo, Adão Pereira Nunes, de 57, morreram esmagados pelas ferragens. No segundo veículo viajavam também Sidney Teixeira Regis, de 53, e Vandete Jesus Souza Teixeira, de 52, que sofreram lesões graves. Segundo o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, o casal não corre risco de morte.

O local do acidente é uma descida seguida de curva, a pista é estreita e a reforma do asfalto incentiva o abuso de velocidade, inclusive dos condutores de veículos pesados. Os três caminhões ficaram totalmente destruídos e atravessados nas pistas. Com o impacto, a carga de bananas foi arremessada longe, fora da estrada, e a cabine do caminhão vermelho ficou destroçada sob o veículo amarelo, com o motorista dentro. A rodovia ficou totalmente interditada até as 14h20 e o engarrafamento chegou a mais de 20 quilômetros, nos dois sentidos. Até o fim da tarde o trânsito ainda era lento.

Na tarde anterior, um protesto contra as condições da BR-381, que se repete todo dia 13, fechou o trânsito em quatro pontos da estrada: em Caeté (Grande BH), São Gonçalo do Rio Abaixo (Região Central), Ipatinga (Vale do Aço) e em Governador Valadares (Vale do Rio Doce). Segundo a organização não governamental SOS Estradas Federais de Minas Gerais, somente no ano passado foram 8.254 acidentes na BR-381, com 600 mortes e 1.275 feridos. Nos 311 quilômetros que separam BH de Governador Valadares, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), houve, no mesmo período, 2.706 acidentes, com 2.055 feridos e 138 mortes.

Um ônibus de uma empresa de turismo, usado para treinar motoristas, teve o retrovisor do lado do condutor atingido levemente por um dos caminhões, mas ninguém ficou ferido. “Somente o resultado da perícia é que vai constatar se o caminhão que transportava bananas apresentou falha mecânica. O motorista poderia estar dirigindo em alta velocidade e com excesso de carga”, disse o capitão Cristian Souza, do 3º Batalhão de Bombeiros Militares.

SORTE A cozinheira Regina Maria Barbosa, de 44, agradeceu a Deus por não estar viajando no caminhão amarelo. Minutos antes, ela esperava a irmã no Anel Rodoviário, na altura do Bairro Caiçara, pois iam juntas para Vitória (ES). “O motorista do caminhão amarelo parou para perguntar como chegaria à BR-381 e ofereceu carona. Não aceitei. Logo depois, minha irmã desistiu da viagem e peguei carona em outro carro. Levei um susto quando vi o caminhão destruído, com o motorista morto nas ferragens.”

Os constantes acidentes na BR-381 deixa motoristas com os nervos à flor da pele, pois a irresponsabilidade de um pode custar a vida de outros. “A estrada é muito perigosa, com descidas longas, cheias de curvas, e muito estreita. É preciso malabarismo para dirigir. Voltar para casa vivo é como acertar na loteria”, disse o caminhoneiro Altamiro Afonso Nunes, de 54. “Segundo ele, os trechos mais perigosos ficam entre Ravena e Nova União, principalmente no trevo de Caeté, e de João Monlevade a Nova Era. “Já virou rotina a gente ficar parado até cinco horas na estrada por causa de acidentes”, acrescentou Altamiro.

Fonte: http://www.uai.com.br/EM/html/sessao_18/2009/05/15/interna_noticia,id_sessao=18&id_noticia=100418/interna_noticia.shtml

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